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Sestas

Tantos meses a maldizer as sestas. Sestas infinitas em cima de mim. Horas de espera. Horas a entreter-me ao telemóvel à espera que acordasses. À espera também que não acordasses porque o adormecer era infinito. Horas a adormecer ao colo. Em prantos. A abanar. Com shhhhhh. Com agachamentos. Em 1000 posições. A adormecer contigo. A não conseguir adormecer contigo mesmo eu estando de rastos. Horas no claro. Horas no escuro. Diretas no sofá a ver o Big Brother. Sentada. Deitada. Tão leve e tão pesada. Segundos que pareciam dias. Dias que pareciam meses. Inventar para que o dia passasse mais depressa. Choro. Mais choro. Gritos. Mais horas a tentar adormecer. Horas a andar de carro para aliviar as tuas dores, as minhas dores. Dores nos pulsos. Dores nas costas. Dores nas pernas. Dores nos joelhos. Dor na alma. Dor no tempo. E agora, falta 1 mês. 1 mês para a creche. Deveria, no mínimo, habituar-te a adormeceres ao colo e a colocar-te na tua cama. Vamos de férias, quero passear, quero sair, a...

O que falta?

Não sei o que mais faça. Estou com ela. Não a deixo chorar sozinha. Tento compreender. Dou colo. Dou amor. Dou-lhe riso. Tento estar o mais próxima possível. Tento fazer com que não se sinta rejeitada. Tento fazer com que não se sinta sozinha. Tento fazer com que não chore sozinha. Tento cumprir com as rotinas ao máximo (e eu não gosto de rotinas). Tento dar-lhe tudo o que tenho e até o que não tenho. Sinto-me sugada. Sinto que tento tudo, penso em tudo. Tento fazê-la sentir-se bem. O que falta?

Bebé sem livro de instruções

Aqui há dias li uma coisa que me fez espécie mas que de facto é um pensamento bonito. Os bebés não vêm com livro de instruções. Não sabemos como são, o que gostam, como se comportam, como se sentem. Não sabemos se quando choram é porque têm fome, sede, calor, frio, sono, aborrecidas, se querem colo, se querem despegar, se querem estar deitadas ou de pé. Não sabemos se estão irritadas, zangadas, frustradas, alegres, felizes, em paz. Quando nascem não sabemos nada. Lá se vai aprendendo (e mal) com os meses. MAS! Nós (as mães) somos um livro aberto para eles! Eles sabem quando estamos alegres, felizes, extasiadas, entusiasmadas. Eles sabem quando estamos tristes, angustiadas, amarguradas. Eles sabem quando nos sentimos ansiosas, stressadas, irritadas, zangadas, frustradas. Como assim, sabem? As hormonas, a química, a biologia são brutais. Através do cordão umbilical, eles sentem tudo o que somos e sentimos. Através dos batimentos do coração, eles percebem como estamos. Não é extraordinári...

Bebé numa redoma de vidro

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Às vezes só me apetece colocar a bebé numa redoma de vidro. Hoje, amanhã e sempre. Protegê-la do que poderão dizer dela, dos pais dela, à frente dela. Protegê-la das comparações absurdas com outros bebés. Protegê-la de comentários sobre ela do género: "Ah ela faz muitas birras Ah ela mama pouco Ah ela mama muito Ah a mãe tem pouco leite ou não é forte Ah ela é preguiçosa Ah ela não gosta de de dormir Ah olha a tua mãe, parece um monstro" E que mais comentários venham e que nem me estou a lembrar... Queria protegê-la de comentários infelizes que não fazem feliz ninguém. Que minam a auto-estima e a auto-confiança da bebé. Que falam dela como se tudo o que dissessem dela não ficasse gravado no subconsciente e que quando for adulta tudo vem ao de cima. Bom, resta-me ter forças e coragem de enfrentar essas pessoas e responder à letra, não querendo saber o que irão pensar de mim depois, porque para mim a minha bebé é muito mais importante que todas essas pessoas juntas. Fingers cro...

Ter um filho é assim tão altruísta?

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 Sempre quis ser mãe.  Agora que sou mãe vejo que não é nada fácil. Para uma pessoa que começa tudo e não acaba nada, ter um filho é um projecto a tempo inteiro, 24h, e que é para sempre, não é uma tarefa fácil. Nada fácil. Eu que sempre quis fazer as coisas no meu tempo, no meu ritmo, que saí de casa para ter a minha liberdade, agora tem um bebé nos braços. Ninguém nos diz o quão lixado é ter um bebé que não dorme, que não come, que também tem o seu tempo e o seu ritmo e que se sobrepõe a tudo aquilo que tu queres e pensas. Ninguém nos diz o que fazer com um bebé que passa horas acordado e que se chateia com tudo facilmente. Fico com o cérebro em papa de tanto pensar em coisas para o entreter. Obviamente que fui parar ao psicólogo, isto sozinha não dá. E fez-me pensar: "ainda bem que tem o bebé consigo todos os dias e a todas as horas porque assim tem oportunidade de fazer de novo todos os dias, se erra hoje, amanhã tem a oportunidade de remendar, de fazer diferente". E eu p...