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Raiva

Raiva. É o que sinto em relação à minha mãe. Triste? Sim. Mas é o que sinto. Pensei (pensei?) que com a maternidade me fizesse sentir mais ligada à minha mãe. Não o sinto. Rejeito. Rejeito-a. Ajuda-me? Sim. Com o melhor que sabe e pode? Também sim. Mas há todo um interior que acha que por mais que faça nunca me irá suprir ou nutrir. Parece que me está constantemente a dever. A dever o quê? Do quê? De me ter roubado uma infância calma, serena... Uma infância... só uma infância. Há alguma coisa que possa fazer hoje para colmatar todo um passado? Talvez... Pedir-me desculpa ou perdão por tudo o que nos fez passar? Me fez passar? Mas um pedido de desculpas sincero, não um "desculpa lá qualquer coisa", um pedido de desculpas por descargo de consciência, um sacodir a água do capote. Mas não, ela está sempre certa, ela fez tudo bem, ela é a maior. E a verdade é essa mesma, ela fez de facto o melhor que pôde na altura com aquilo que sabia. Eu é que ainda não aceitei. Parece que a que...

Porque é que um dos nossos sonhos é ter filhos?

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Agora que tenho filhos pergunto-me: Onde raio é que eu tinha a cabeça para sonhar querer ter filhos? Porque é que crescemos com este sonho? Tantos sonhos para sonhar e sonhamos ser masoquistas? Ou será que nos implantam como uma sementinha este sonho? Será que não é um sonho nosso mas são gerações e gerações a passarem esse sonho? Ou, como eu acredito, como raio é que a alma de um bebé nos escolhe como pais? Porque é que nos escolhe? E porque é que nós acedemos a esse pedido? Acredito que são os filhos que escolhem os pais. Que mediante as experiências por que teem de passar, nós, pais, somos os tipos mais decentes para eles trabalharem o que vêem trabalhar. E também acredito que como almas mais avançadas que nós, vêem também para nos ensinar, acicatar a sermos melhores. Os filhos mostram as nossas sombras "face to face", "in your face", o que seja. É isso que nós desejámos antes de encarnarmos? Ter esta experiência tão dura? Porque é que nos dizem a nós, miúdas (nã...