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Forças

Eu sei que devia ter forças para fazer as coisas sozinha. Eu tenho forças para fazer as coisas sozinha. Não preciso que me digam que sou eu que tenho de fazer isto ou aquilo. Eu sei. Eu consigo. Eu posso. Mas não tenho vontade. Não tenho forças. Não tenho ânimo. Eu sei que conseguiria o Mundo mas gostava que pegasses em mim e me levasses. Gostava que tivesses a iniciativa. Sei que consigo tudo sozinha mas gostava de ter companhia. É pedir muito? Companhia? Não preciso ser salva, se bem que sabia bem ser salva de vez em quando. Sei que consigo tudo sozinha mas gostava que fizesses comigo. Quanto menos companhia me dás menos vontade tenho de fazer as coisas sozinha. Sei que devia ser ao contrário: Eu faço e tu vens. Mas está a ser ao contrário. Preciso da tua iniciativa, preciso da tua companhia, preciso da tua ajuda, preciso de sair contigo, sair em família. Preciso de ânimo externo para ter forças para ter ânimo interno. Não estou a conseguir de outro modo. Talvez amanhã consiga. Hoje ...

Injusto

Sinto-me terrivelmente só. Mesmo rodeada de algumas pessoas, sinto-me só. Falo com elas, fico contente. Fico contente por saber delas e fico contente por falar. Falar com pessoas. Não com crianças. Não para um ecrã. Pessoas adultas. Sabe bem. Na altura. Mas quando volto a mim, sinto um vazio. Sinto o vazio. De que serviu falar? Gosto de uma companhia genuína. Gosto de falar com continuidade. Não é sabendo que passado uns minutos relembro toda a solitude que senti e sinto. Tenho vergonha de falar, por isso digo que gosto mais de ouvir que falar. Mas quando falo parece que é demasiado apressado, não digo tudo o que gostaria de dizer. A boca abre-se e fala e eu vejo-me a falar nada do que queria, mas falo como se não falasse há 1000 anos. Será injusto dizer que me sinto sozinha mesmo estando acompanhada?

Mundo externo vs. Mundo interno

O que é o melhor para mim? O que é que eu gosto mais? Do que é que eu gosto? Viajar ou escrever? Sair ou ficar em casa? Liberdade em casa ou presa na rua? Porque é que não posso gostar de ambos? Porque é que eu tenho que gostar de algum? Qual é que é aquele que é intrínseco a mim? Gosto de estar no meu canto, no meu mundo, mas fizeram-me crer que é melhor viajar, sair, estar na rua? Penso que sim. E penso que não. E gosto de estar no meu mundo porque eu quero ou é porque me faz sentir confortável? Lembro-me de quando era miúda querer sair mas tinha medo, ficava um pouco na rua mas queria regressar com medo que alguma coisa má me pudesse acontecer. Recordo-me deste medo, de querer voltar para casa porque assim estaria protegida pelos meus pais. Depois dizia que era mais caseira, que não me apetecia sair, só que no fundo, no fundo, tinha medo de sair sem os meus pais. Tenho a sensação de que antes da primária era uma miúda destemida, que corria, que se aventurava, que mexia em tudo, curi...

Um pensamento velado

Será que um dia alguém me vai ler? Alguém ou alguéns? Gostava. Gostava de ser lida. Não para não ser a única. Por ego? Quem sabe. Eu não sei. Ou sei? Sim, talvez seja ego. Ser vista, ser reconhecida. Ajudar alguém? Também. Gostava que fosse esse o propósito final. O ajudar. Mas acho que não é. Ou Não é mesmo. É egoísta. É egocêntrico. Ego. Eu. Mais uma vez, eu. Acho que sempre fui egocêntrica, mas de uma forma velada. Pensando bem, sempre fui assim. Eu, eu quero, eu sei, eu tenho. Eu não sei, eu não consigo, eu não sou. Sempre a pensar nos outros, a olhar para os outros, a olhar pelos outros, com o objectivo de que olhassem para mim. Condição. Eu ajudo porque quero ser ajudada. Eu faço porque quero que me façam. Eu sou porque quero que sejam. Vida triste a de viver com condições. Não em condições, mas com a condição de. Mas agora assumo. Eu. Assumo-me. Eu só quero pensar em mim. Talvez assumindo o que realmente quero e sou seja verdadeira para com os outros. Eu sou O Fim. Sou Um Fim. E...

Assertividade

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Como ser assertivo com um bebé ou criança se nem com os adultos consigo ser assertiva? Ou, aliás, o contrário. Como posso ser assertiva com um bebé ou criança se o exemplo que dou quando estou com outros adultos é de permissividade?

Happy

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Hoje sinto-me feliz. Na verdade, não sei se é bem "feliz", é mais um sentimento de plenitude. Não sei se será a mesma coisa. Sabe tão bem quando me sinto compreendida e vista. Hoje nem me importo da fazer as sestas dela. Dói-me o ombro e o pulso, mas há-de passar. MEMO: ir ao livro "o teu corpo diz ama-te" ver o que significam as dores Estou com fé na noite. Vamos ver...

Ter um filho é assim tão altruísta?

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 Sempre quis ser mãe.  Agora que sou mãe vejo que não é nada fácil. Para uma pessoa que começa tudo e não acaba nada, ter um filho é um projecto a tempo inteiro, 24h, e que é para sempre, não é uma tarefa fácil. Nada fácil. Eu que sempre quis fazer as coisas no meu tempo, no meu ritmo, que saí de casa para ter a minha liberdade, agora tem um bebé nos braços. Ninguém nos diz o quão lixado é ter um bebé que não dorme, que não come, que também tem o seu tempo e o seu ritmo e que se sobrepõe a tudo aquilo que tu queres e pensas. Ninguém nos diz o que fazer com um bebé que passa horas acordado e que se chateia com tudo facilmente. Fico com o cérebro em papa de tanto pensar em coisas para o entreter. Obviamente que fui parar ao psicólogo, isto sozinha não dá. E fez-me pensar: "ainda bem que tem o bebé consigo todos os dias e a todas as horas porque assim tem oportunidade de fazer de novo todos os dias, se erra hoje, amanhã tem a oportunidade de remendar, de fazer diferente". E eu p...

Primeiro dia

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 Hoje começa uma nova história. (imagem tirada da internet) Uma história em que finalmente tenha um fim, ou melhor, uma continuidade. Sou uma pessoa muito boa a começar coisas mas péssima a dar continuidade. Já comecei a escrever no meu caderno alguns dos meus pensamentos, emoções, pensamentos obsessivos, pensamentos que não me deixam dormir. Há anos que ouço que deveríamos escrever para libertar espaço na nossa mente. Há anos que indico isso nas minhas consultas. Em pequena escrevia muito. Com a idade fui reduzindo. Nos últimos anos, apesar de ir escrevendo esporadicamente, achava que era uma perda de tempo. Não era bem uma perda de tempo, mas eu queria escrever tanta coisa, tantas ideias, tantos pensamentos, tantas ruminações, que me dava a sensação de que teria de estar a escrever constantemente. Depois, claro, dava-me a preguiça, porque gosto de escrever em papel, mas um telemóvel está sempre à mão, e se fosse escrever teria de ter um caderno em todas as divisões da casa, em to...