Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta vida

Egoísta

Disse tantas vezes, de mim para mim, que era egoísta, que houve alguém que materializou isso. Chamou-me egoísta. E foda-se. Não gostei. Chamaram-me de egoísta na única vez que disse que ia fazer uma coisa para mim. Que a bem da verdade nem é só para mim, é para mim e para a bebé. Nem para ser egoísta sou boa porque faço em prol dos outros. Eu sabia que a discussão ia descambar. Eu sabia que não era tão grave assim. Eu sabia que chegando a esse dia ia correr tudo bem. Mas descambou. Eu tentei voltar atrás. Mas chamaram-me de egoísta. Sim, estou armada em vítima e vou continuar até ao fim do texto. Saem às horas que querem. Chegam às horas que querem. Almoçam, jantam quando querem. Vão onde querem. Fazem o que querem.  Bebés a chorar? Não querem saber, os compromissos são mais importantes. Saem. Engraçado, que comigo, para sair a horas é um cabo dos trabalhos, mas para as suas coisinhas já tem de sair a horas. Continuando. Agora, no único dia que eu preciso de um carro, porque também...

Revolta

Porque é que eu fico revoltada com coisas, situações, pessoas, ideias que não me dizem respeito? Porque é que eu tomo para mim as dores dos outros? Alguém me conta algo e eu fico revoltada por essa pessoa, como se a história fosse minha. Sinto as dores dessa pessoa. Fico a pensar tempos infinitos naquilo que a pessoa me relatou. Aquilo não me diz respeito. Eu não tenho de resolver nada. Aliás, normalmente nem há nada a resolver porque as coisas já aconteceram. A minha revolta, aquilo que eu vou sentir ou não não vai resolver nada. Então, porque é que eu perco tempo e energia em coisas que não são minhas? Eu digo isto, tento afastar-me mas depois quando lá chego, fico embrenhada na história, envolvo-me na história e quando vou a ver, já falei demais, já me envolvi demais, já me revoltei demais. Há forma de contornar isto? Talvez sim. É só estar atenta ao momento presente, estar com a pessoa e lembrar-me que eu também sou uma pessoa, que o que estou a ouvir não é meu e largar. E agora, e...

Boicote

Está a acontecer outra vez. Quero dar consultas. Quero dar o passo, o salto de fé. Tenho pessoas interessadas e que me procuram. E assim que dou o passo, que digo que sim, volta tudo atrás. Às pessoas voltam atrás. As coisas voltam atrás. Eu volto atrás. Quero fazer diferente do que fiz até aqui porque não tem resultado a 100%. Resulta mas não é algo profundo. Mas assim que dou o passo, acabou-se. Não sei se sou eu energética e inconscientemente que boicoto isto tudo ou se não é mesmo para fazer. Desde 2020 que quero fazer diferente, ir mais além, e falta sempre algo, acontece sempre algo. Não é para fazer? Não é para fazer ainda? Sou eu que me boicoto? Estou cansada. Não sei o que é para fazer. Não sei o que fazer.

Escondido

Eu penso que me falta qualquer coisa para ir mais fundo. Há aqui qualquer coisa que não me está a deixar ir lá em baixo. Sempre que penso na minha vida, no que passei, no que não passei, no que senti ou não senti, o que fiz ou não fiz, o que fizeram ou não fizeram, encontro 1001 razões, justificações, racionalizações. "Isto acontece agora porque vem do passado uma vez que me aconteceu isto, aquilo e o outro". Racionalizo o que se passa agora com o que me aconteceu no passado. E está tudo certo já que nós somos (também) o resultado do nosso passado. Mas há qualquer coisa que falha. Já encontrei saídas, aberturas, correspondências com o medo. Do medo saltei para a vergonha. Percebi que toda a minha vida foi regida pela vergonha e que a vergonha fez ter medo de tudo e todos. Mas há algo mais fundo do que a vergonha. Algo mais fundo do que o meu passado. Algo mais profundo. Escondido.

Mundo externo vs. Mundo interno

O que é o melhor para mim? O que é que eu gosto mais? Do que é que eu gosto? Viajar ou escrever? Sair ou ficar em casa? Liberdade em casa ou presa na rua? Porque é que não posso gostar de ambos? Porque é que eu tenho que gostar de algum? Qual é que é aquele que é intrínseco a mim? Gosto de estar no meu canto, no meu mundo, mas fizeram-me crer que é melhor viajar, sair, estar na rua? Penso que sim. E penso que não. E gosto de estar no meu mundo porque eu quero ou é porque me faz sentir confortável? Lembro-me de quando era miúda querer sair mas tinha medo, ficava um pouco na rua mas queria regressar com medo que alguma coisa má me pudesse acontecer. Recordo-me deste medo, de querer voltar para casa porque assim estaria protegida pelos meus pais. Depois dizia que era mais caseira, que não me apetecia sair, só que no fundo, no fundo, tinha medo de sair sem os meus pais. Tenho a sensação de que antes da primária era uma miúda destemida, que corria, que se aventurava, que mexia em tudo, curi...

Sobreviver

Quase 39 anos e quase 2 anos a sobreviver (fora os outros 37). Dizem-me que a dor não é demasiado profunda porque se fosse já me teria mexido. Acordo cansada, mesmo tendo dormido. Acordo sem vontade. Acordo com sono, mesmo tendo dormido bastantes horas seguidas. Sair à rua, passear, apanhar sol. Com que objectivo? Sinto-me na mesma. Só. Só, mesmo acompanhada. Quero falar, quero desabafar, quero gritar, quero espernear, quero dizer tudo o que está entalado, quero ficar chateada, irritada, possessa, furibunda, histérica. Não sinto que possa. Mesmo em casa que é onde nós deveríamos sentir à vontade. Não posso porque me rejeitam, porque não posso ser assim, porque não tenho o direito de me sentir assim. Só me posso sentir bem. Feliz. Em paz. Não me sinto em paz. Sinto-me parada com um sorriso no rosto para que a família se sinta bem. Não sabem. Não conseguem lidar com a tristeza. Com a raiva. Com o ódio. Não sabem. E eu também não sei lidar. Deixo-me estar. Dizem-me que a dor não é demasia...

Tema de conversa

Há mais um tema de conversa pelo qual eu gostaria de falar com as pessoas (se eu tivesse pessoas com quem falasse): o blog. Aliás, estou a ser injusta. Eu tenho pessoas com quem falar, eu é que, se calhar, não estou muito interessada em partilhar. Ou até estaria se sentisse que gostariam de me ouvir. Se calhar até me gostariam de ouvir, eu é que, neste momento, não sinto isso. Bom, continuando. Para além do tema de conversa "filhos" e "trabalho", gostava de falar sobre este blog às pessoas. Sim, o blog está-me a dar pica para escrever. Gosto de escrever. Acho piada. Ok, nem é tanto achar piada, é mais na onda do desabafo. O desabafo leva a ter uma linha de raciocínio, que leva a algum tipo de explicação, que leva a uma exploração mais a fundo, que leva a ter certos insights. Gosto destas tomadas de consciência e gostaria de partilhar isso com o mundo. Partilhar o meu mundo. E talvez o meu mundo não seja o único. O problema é que o desabafo é isso mesmo. Um desabafo ...

Mães

Eu agora já percebo as mães. Excepto a minha. Ou, se calhar, incluindo a minha. Ainda não compreendi muito bem porque é que eu consigo compreender tudo e todos (e agora também as mães) e não consigo aceitar/compreender/entender a minha mãe. Talvez por ser demasiado próxima de mim? Talvez por eu estar à espera de um amor idílico/ incondicional que nunca tive (ou, pelo menos, não tive essa percepção)? Talvez por tê-la colocado num pedestal e eu estivesse sempre à espera que nunca falhasse, que fosse perfeita? Mas eu sempre a vi imperfeita, com todos os seus defeitos e mais alguns. Talvez estivesse à espera que, sendo minha mãe, fosse melhor que todas as outras? Talvez por ela se achar a melhor mãe do mundo quando, para mim, estava muito longe disso? Não sei responder.  Esta questão terá de ficar para outras núpcias (sim, vou empurrar o problema com a barriga). Onde eu queria chegar era: Eu agora já percebo as mães. Eu já entendia, mas agora é noutro nível. Sempre achei que as mães só...

Culpa e Justificação

Sinto-me constantemente culpada. Se fiz, é porque fiz. Se não fiz, é porque não fiz. Se sou assim, não devia ser assim e deveria ser assado. Se não sou assim, porque é que não mudo. Devia fazer assim. Não devia fazer assado. Tenho algo mas deveria explicar porque é que tenho esse algo. Gasto dinheiro? Mas deveria explicar porque é que o gastei. É culpa e explicação. A Explicação, a justificação, andam de mãos dadas com a culpa. É uma constante da vida justificar a minha vida a quem não tem nada a ver com o assunto. Normalmente falo tão pouco e quando não deveria falar é quando falo demais. Lá está, a culpa de não falar na hora certa ou falar demais na hora errada. Há explicação para isto?

Bloqueio por excesso

Já se sentiram bloqueados por quererem fazer tanta coisa que, no fim, acabam por não fazer nada? Pois bem, assim sempre se regeu a minha vida e após um bloqueio de vazio, de nada, que durou mais de 1 ano e meio, voltei a senti-lo. Acho que existem 2 tipos de bloqueios. O bloqueio que nos paralisa. O medo das escolhas. O não ter ideias. Não ter vontade. Não ter motivação. É a vida estagnada como os links no cimo do poço. E há o bloqueio de querer fazer tanta coisa que uma pessoa se sente assoberbada e acaba por não fazer nada. Qualquer que seja o tipo de bloqueio a convergência é só uma: falta de acção. E falta de acção por medo de escolha. Gostava de escolher mas e se eu não gosto? E... Se os outros não gostam? É lixado pensar sobre o que os outros pensam.

Segundo filho

Antes de mais, uma pergunta que me tem assolado há algum tempo: PORQUE É QUE TEMOS FILHOS? É por intuição? É por amor? Mas amor a quem? Ao filho que aí vem?  É porque quero ter um filho do meu marido/companheiro? É por mim, que tenho tanto amor para dar que faz todo o sentido partilhá-lo com um filho? Dar continuidade à família? Espécie? Prole? Dar uma educação diferente daquela que recebi dos meus pais? (E isso não é um bocado egoísta, querer ter um filho para fazer diferente dos pais?) E se o filho, por ventura, quiser a mesma forma de educação que eu tive? Eu posso não ter gostado, no entanto, ele pode querer. E SE O INÍCIO DA EXPERIÊNCIA DE UM PRIMEIRO FILHO NÃO É ASSIM TÃO BOA, PORQUE É QUE TEMOS UM SEGUNDO FILHO? É com esperança que ele seja diferente? É como forma de ter uma segunda oportunidade de ter um parto como deve ser? É porque como já sabemos como é que as coisas são, então também já sabemos como reagir? De qualquer forma, já são dois filhos, e mesmo tendo a experiên...

Exemplo

Imagem
Como posso posso dar o exemplo pela bondade em vez de pela palmada, pelo respeito em vez de pelo medo, pela aceitação em vez da rejeição, do abraço em vez da manipulação, se muitos dos exemplos à minha volta são precisamente o inverso. Quero ser diferente, dar uma educação/orientação diferente mas e se o meu cérebro me prega uma partida e num momento de fúria volto aos padrões de sempre? Será que o meu bebé me vai perdoar? Será que eu me vou perdoar? Claro que não me vou perdoar... Depois de tanto apregoar uma coisa mas fazer o que sempre me fizeram e fazem, a minha incapacidade de aceitar os meus erros vai levar a melhor. E ainda levar das pessoas que me rodeiam "ah tanta coisa e fazes o mesmo que nós! Fica lá mas é caladinha porque tu não vais mudar o mundo!" Sim, eu sei que não vou o mundo, só queria que começasse aos poucos a mudar no meu núcleo familiar, no meu bebé, e que o meu bebé, apesar de estar num mundo atroz, que ele soubesse lidar com esse atroz e, acima de tudo...

Bebé numa redoma de vidro

Imagem
Às vezes só me apetece colocar a bebé numa redoma de vidro. Hoje, amanhã e sempre. Protegê-la do que poderão dizer dela, dos pais dela, à frente dela. Protegê-la das comparações absurdas com outros bebés. Protegê-la de comentários sobre ela do género: "Ah ela faz muitas birras Ah ela mama pouco Ah ela mama muito Ah a mãe tem pouco leite ou não é forte Ah ela é preguiçosa Ah ela não gosta de de dormir Ah olha a tua mãe, parece um monstro" E que mais comentários venham e que nem me estou a lembrar... Queria protegê-la de comentários infelizes que não fazem feliz ninguém. Que minam a auto-estima e a auto-confiança da bebé. Que falam dela como se tudo o que dissessem dela não ficasse gravado no subconsciente e que quando for adulta tudo vem ao de cima. Bom, resta-me ter forças e coragem de enfrentar essas pessoas e responder à letra, não querendo saber o que irão pensar de mim depois, porque para mim a minha bebé é muito mais importante que todas essas pessoas juntas. Fingers cro...